O Encantamento Urbano de São Paulo

June 30, 2017

 

O Badulaque mais uma vez esteve por aí colhendo poesia nos encontros culturais de suas viagens. Desta vez a Gothancity brasileira foi o palco. Desperte seu olhar para o que mora por traz da selva de pedras

 

Viajar é principalmente sentir. Abrir a percepção para o novo em cada esquina. A beleza existe em várias formas, cores e estilos mas é preciso abrir os olhos da alma para ver e, de fato, enxergar.

 

Saboreie um olhar delicado sobre a rotina implícita nos centros urbanos. Principalmente se o intuito é se envolver com o lugar

 

Na publicação de hoje O Badulaque vai apontar a simplicidade da beleza que existe por trás das linhas urbanas da capital paulistana. Não é preciso ir ao museu para encontrar arte em São Paulo, mas dentro ou fora deles, a cidade irradia vida.

 

Seja na irracionalidade orgânica do fluxo de pessoas no metrô, na tradição da Paulista ou na fartura da explosão cultural, a cidade mais cosmopolita do Brasil conquista o visitante disposto a provar seus sons, luzes e diversidade. 

Na passarela, a inusitada métrica que se forma entre luz e sombra cria um emaranhado de linhas e formando padrões óticos inesperados

 

Embarque conosco nessa trilha pelo encantamento das ruas paulistanas.

 

Foto 1: Onde a natureza está atrai o olhar. Em meio ao concreto cinza da vida urbana, flores do deserto quebrar a aridez dos corpos

 

Foto 2: O mesmo acontece dentro das casas, onde o verde sobrevive em mentes, corações e vários vazinhos coloridos e amavelmente cuidados como alguém da família

 

Foto 3: No alojamento só de mulheres, a alimentação vegetariana é regra. Uma xícara no armário brada: Coma mais frutas e vegetais e deixe-nos em paz. Na imagem, o desenho caricátrico dos bichinhos que satisfazem a cultura gastronômica brasileira

 

Foto 4: Flores emolduradas pela cidade saltam cores e fustigam fotos. Mas só para aqueles capazes de ver

 

Foto 5: No bairro de Pinheiros, uma intervenção interrompe a trilha. O Mini Moma traz imagens de obras expostas no Museu de Arte Moderna, impressas e coladas na parede em um conjunto sugestivo de obras que interagem como o muro onde foram afixadas

 

Foto 6: Fotógrafo vende imagens aéreas da cidade pela Paulista, fazendo parte da cena contemporânea da metrópole

 

Foto 7: O patrimônio da cidade, próximo ao pequeno Parque Prefeito Mário Covas se mistura com a arte de rua traduzindo a linguagem de sampa, cantada por poetas, explorada por aventureiros e idolatrada por progressistas

 

 

 

Ao som de: 

MASP

O Museu de Arte de São Paulo, ainda na Paulista, é parada obrigatória para todo mundo que passa por aqui. É um museu privado sem fins lucrativos, fundado por Assis Chateaubriand, em 1947. Foi o primeiro museu moderno do país.

Em 1968, o museu foi transferido para a Paulista e ocupou o arrojado projeto de Lina Bo Bardi, um marco para a história da arquitetura do século 20

 

Atualmente, a coleção do MASP reúne mais de 8 mil obras, incluindo pinturas, esculturas, objetos, fotografias e vestuários de diversos períodos, abrangendo a produção artística européia, africana, asiática e das Américas. Além da exposição permanente de seu acervo, localizada no piso 2, riquíssima em obras dos clássicos mundiais, o centro cultural realiza uma intensa programação de exposições temporárias, cursos, palestras, apresentações de música, dança e teatro, e configura o "QG" político do povo quando o assunto é manifestação e a sociedade põe a cara nas ruas.

 

Acervo

Na coleção do museu, os clássicos brasileiros e estrangeiros fazem o coração palpitar. São obras de Di Cavalcanti, Portinari, Victor Meirelles, Modigliani, Monet, Renoir, Van Gogh e muitos outros.

 

Poucas autoras mulheres integram o acervo dada a idade da maioria das pinturas, época em que nem sutiã havia para se queimar. No entanto, elas ilustram as molduras das mais diversas datas e regiões.

 

As filhas do rei Luiz XV convidam o olhar badulaqueiro. Retratadas pelo francês Jean- Marc Nattier, as quatro filhas do rei Luiz XV foram representadas como os elementos da natureza: terra, ar, fogo e água, na contramão dos clássicos antigos voltados para uma abordagem espiritual da realidade.

 

Foto 1: Madame Marie-Adélaide de France era o Ar

Foto 2: Madame Anne Henriette de France foi o Fogo

Foto 3: Madame Vitória como a Água por Jean-Marc Nattier, 1751

 

 

Nas paisagens, quem mais atraiu atenção foram os holandezes Frans Post, um dos primeiros a representar a natureza brasileira nas artes plásticas, com sua pintura detalhista e sutil da "Paisagem com jiboia"m; e Solomon van Ruysdael, com "Paisagem fluvial com balsa transportando animais".

 

A imagem mais pujante do acervo, retrata Moema, cantada e poetizada por tantos desde o épico Caramuru, que conta em ritmo a história da índia que se afogou nadando atrás do navio de seu amado Diogo Álvares, quando ele voltava à Portugal. Moema é desenhada por Victor Meirelles, formado pela Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro e influenciado pela arte romana por uma viagem empreendida em 1853. Seu corpo nú e morto às margens do mar remete à uma espécie de Vênus indígena no primeiro plano desfocando o olhar da guerra entre conquistados e conquistadores ao fundo, como que também às margens do romance principal.

 

Algumas imagens não cabem em telas. Por isso Moema te espera no Masp para sequestrar sua percepção pelo tempo que te conquistar. Qualquer tentativa de representá-la em foto é vã diante da beleza das pinceladas originais contra a meia luz do museu.

 

Exposições Temporárias

Este ano o MASP dedicou as mostras aos temas sexualidade e gênero. As exposições temporárias promovidas pelo Ministério da Cultura, Itaú e Vivo apresentam dois olhares contemporâneos sobre o universo dos sentidos: Wanda Pimentel (19/05 até 17/09) com Envolvimentos no primeiro Subsolo e Quem Tem Medo de Teresinha Soares (28/04 até 06/08)

Visão superior da entrada dos subsolos, onde estão instaladas as exposições contemporâneas sobre sexualidade e gênero

 

Wanda Pimentel

Apresenta Envolvimento, com 27 pinturas que marcam o início de sua carreira no Rio em 1943. Ainda como uma das séries mais emblemáticas da artista, Envolvimento usa um rigor de linhas abstratas e geométricas para retratar o universo feminino representado apenas por pés e pernas em ambientes domésticos.

 

Foto 1: Esta obra ganhou a capa da exposição, exibida em cartazes e no tóten de apresentação das mostras na entrada do MASP. Condensa o desejo de libertação das mulheres do universo doméstico

 

Foto 2: A relação com a costura brilhou aos olhos badulaqueiros, na representação em cores quentes e primárias, mediante linhas precisas, sendo retas ou curvas, em cores chapadas sem degradês

 

Foto 3: As nuances e mistérios da descoberta da liberdade sexual feminina ficam escondidas na sugestão que a imagem faz ao imaginário

 

Foto 4: Carros e cigarros como símbolos de liberdade são associados ao universo feminino nesta obra que grita a estética dos anos 70

 

 

Quem Tem Medo de Teresinha Soares?

Produzidas entre 1966 e 1973, as obras da artista realizaram uma trajetória meteórica na cultura brasileira. Com uma pegada bastante feminista, ela toca no sensual e no erótico sem tabús em uma época quando foi vanguardista.

Simbolizando a década de 70 em estilo, cores e grito, a artista usa um arsenal plástico de elementos para compor suas obras

 

Entre esculturas em madeira, intervenções, serigrafias e pinturas, ela questiona a marginalização do desejo da mulher, da maternidade, da amamentação, do amor e até da justiça em relação às causas de gênero.

 

Foto 1: – Da série Acontecências os quadros apontam a crucificação do feminino e colocam ciúmes e machismo em cheque

 

Foto 2: – Pernas pra quê te quero é o nomes desta série dedicada à Caetano Veloso

 

Foto 3: “Ele tocou as cordas do meu coração” acende as luzes deste organismo vivo quando a gente se aproxima da escultura

 

 

O Fim ou o começo?

O pinheiro de Pinheiros ficou tatuado no céu por uns momentos em meu caminho para o curso que me trouxe até São Paulo e que vai trazer novidades deliciosamente inéditas para o Blog do Badulaque.

O pinheiro da Avenida dos Semaneiros se enraizou no caminho do destino marcando símbolo de confirmação no campo dos meus sonhos

 

Fiquei pensando que era o símbolo da concretude do sonho para mim. Não por acaso, na minha mente que encontrou fé na física quântica, a orientadora do curso nos convidou a descrever a última foto tirada do celular antes do encontro.

 

Compartilho agora essa parte da história com vocês: “Cheguei em Pinheiros e encontrei ele: a árvore. Enraizando a avenida do destino e o ‘curso’ do futuro, planava no azul emoldurando sonhos. Lembrei dos meus pés, bem fincados na terra e no luxo de levantar o olhar. Segui grata para o número 469 à procura de mim nas linhas simples da vida”.

 

Fui convidada a fazer mas não a compartilhar em grupo durante a aula. Pela primeira vez compartilho esta visão do meu Pinheiro(s) e de toda minha esta cidade luminosa.

 

O ensinamento mais importante de todo o rolê me levou de volta ao esquema coincidentemente circular que recebi na inauguração dos meus dias em Sampa.

 

Os o ”quês” podem até mudar se você conhece os seus porquês”. Não importa onde você está ou como você está. Na verdade o que realmente importa é o que você faz disso. Faça de qualquer lugar especial. O mundo todo é nossa casa

 

Gostou de SP? Eu também! Espalhe O Badulaque por aí e compartilhe uma visão afetiva desta grande metrópole brasileira. Não deixe de visitar também o Mercado Popular, a livraria Cultura do Conjunto Nacional, o Parque Ibirapuera e Vila Madalena. Estes points também estão em nosso roteiro. Confira a surpresa da semana que vem no post de quinta. O que será que O Badulaque veio fazer em São Paulo? Descubra.

 

 

 

 

 

 

 

 

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