Criativos de plantão

July 13, 2017

Entenda um pouco mais sobre o nascimento de um criativo nesta entrevista com Diana Assennato, eleita a pessoa mais inovadora de 2014 pela revista Próxxima

 

Foto do Facebook de Diana

 O olhar particular de uma criativa sobre carreira, desenvolvimento e inspiração no post de hoje

 

 

Criatividade é talento nato. Certo? ERRADO. A criatividade é um dom que permeia a humanidade. Sempre somos criativos na medida em que estamos continuamente à procura de novas respostas para velhas perguntas.

 

Segundo Deepak Chopra, médico indiano radicado nos Estados Unidos, autor do best seller "As setes leis universais do sucesso", quando compreendemos nossa natureza humana e entendemos como seguir as leis da natureza, tudo o que quisermos pode ser criado, “porque o mesmo campo que a natureza utiliza para criar uma floresta, uma galáxia, ou um corpo humano, também pode efetuar a realização de nossos sonhos”.

 

Dentro desta mecânica quântica, criatividade é ferramenta existencial de todos. Basta exercitar. Despertar o olhar para o novo e perder os preconceitos com as próprias ideias.

 

Foi assim que Diana voltou de Londres após um mestrado que abriu seus horizontes para a inovação tecnológica. Escolhida como a pessoa mais inovadora do país entre 50 nomes elencados pelo grupo Meio&Mensagem, ela já havia levado o prêmio de melhor startup em 2013, pela revista Info, com a idealização do Arco. A ferramenta de pagamento via Instagram fez muito sucesso enquanto ativa mas não conseguiu financiamento para continuar colhendo os frutos da grande ideia.

 

O que Diana também colheu desta experiência foram as sementes de história que planta hoje na direção de sua empresa Cobalto e da equipe de produção de conteúdo da Green Park Content - agência que concentra contas como Unilever, Nestlé, Danone e Nívea. Veja como essa diva da tecnologia, super estilosa e descolada fala sobre o descobrimento de sua criatividade e as experiências que moldaram seu olhar estratégico e ao mesmo tempo, humano sobre mercado, mensagem e pessoas.

 

O Badulaque - Como você despertou para essa carreira em estratégia digital e despertou um olhar feminino sobre tudo?

 

Foto do Facebook de Diana

 

Diana no Festival Path em maio de 2017

 

Diana - Foi um caminho longo. Mas começou quando eu fui fazer um mestrado fora do país e quando voltei, inventei que ia ter uma startup de tecnologia. Não me pergunte porquê! Porque eu não entendia nada do assunto. Não sabia nem por onde começar. Na época, eu tinha feito um trabalho de pesquisa enquanto eu morava lá em Londres, com uma empresa que fazia análise de tecnologias e projeta isso pro futuro, ou seja, a gente era contratado para fazer análise do futuro dos eletrodomésticos, de tudo mais e um desses trabalhos foi sobre o futuro do ecommerce. Quando a gente fez esta avaliação, que foi para a WGSN, uma empresa super grande de tendência de moda e etc., eu vi várias coisas que funcionariam bem no mercado brasileiro.

 

Falei com uns amigos quando voltei que estava afim de lançar um sistema de pagamento pelo Instagram. Eles acharam super legal porque estava bombando. Isso foi em 2012. Lançamos o Arco, que era uma ferramente de pagamento que funcionava entre perfis de Instagram.

 

A gente achou que nossos vendedores seriam as grandes marcas mas acabaram sendo os pequenos produtores que usavam o Instagram como veículo de venda. Me interessava que este vendedor soubesse usar todas as ferramentas que aquela rede social oferecia porque assim ele ia vender melhor, mais e me gerar mais lucro. Então tinha uma coisa de não apenas ensinar a usar a ferramenta direito, mas ensinar a estar melhor no ecossistema do Instagram. Para que a mensagem dele fosse mais longe, e consequentemente eu aumentar minhas vendas sobre a venda dele.

 

Ao mesmo tempo que isso ocorria, depois de 2 ou 3 anos, a gente faliu a startup, não deu certo… Quer dizer, deu muito certo no tempo que durou. Mas eu vi que gostava mesmo era de contar as histórias e de ajudar tanto a senhorinha do nordeste que vendia sabonete pelo Insta quanto campanhas globais da Leica, que vendiam câmeras de 10 mil reais pelo Insta. Ou seja, o ajudar essas pessoas a contar suas histórias em proporções tão diferentes me atraia muito. A partir daí eu montei com minha sócia Marina Malta uma consultoria de comunicação chamada Cobalto.

 

O Badulaque - A ideia do Arco surgiu em um momento de descontração ou introjeção?

 

                                  Foto do Facebook de Diana

                                    Estilo, conteúdo e experiência. Saiba mais sobre ela

                         

Diana - Introjeção total. Eu meio que sabia que eu não ia voltar para o Brasil para trabalhar em redação após o mestrado porque era uma coisa que eu nunca tinha feito e não queria fazer. Eu não sentia que eu tinha talento suficiente para aquilo e ao mesmo tempo, sentia que precisava virar outras chaves. Eu estava muito travada antes de sair daqui. Me vendo com um teto muito baixo, sem conseguir imaginar outras coisas e quis fazer uma coisa completamente diferente, o que foi muito bom. Um super aprendizado, MBA na raça. Período de muita dificuldade. Sem grana. Perrengue puro.

 

Funcionou. A gente teve sucesso. Só não conseguimos escalar. Não conseguimos vender a ideia para investidores apesar de todo o hype. Porque é isso: inovação no Brasil é lindo até alguém ter que colocar a mão no dinheiro. Quando se põe a mão no bolso, a pessoa quer saber quando volta o dinheiro. Aí você diz que não sabe porque está sendo o primeiro a fazer aquilo. Claro que a gente tinha nossas projeções, o nosso controle, mas inovação é um risco que os investidores brasileiros naquela época não estavam afim de correr.

 

O Badulaque - Projeto ADA está em stand by? (Ada.vc é um portal criado por Diana que tem o intuito de mostrar que o mundo digital pertence também às mulheres e ajudá-las a compreendê-lo para fazer as melhores escolhas ao navegar por ele).

 

Foto de Divulgação

 Em curso de Narrativas Digitais, idealizado pela Kind, no início de julho de 2017, ela ostenta sua luz própria

 

 

Diana -  Vamos voltar com ele! Estou tão feliz! Uma parceira que trabalha comigo, que é especialista também em tecnologia, falou: "Gente, tem muito espaço ainda. Não tem ninguém conversando com essas mulheres. Vamos reativar"! E a gente está amanhã (05/07) aprovando o site, resolvendo um monte de coisas para retomar. Mas é um projeto meu do coração.

 

A gente não conseguiu monetizá-lo. Também... a gente não tentou muito. Nosso objetivo era ser feliz escrevendo coisas que faziam sentido. A gente queria relançar para o final de agosto mas acho que vai acabar saindo para o início de setembro.

 

Mas eu acho que nessas andanças na área de startup, de tecnologia, a gente começou a perceber que a mulher está muito conectada, é muito tecnológica e não se sente deste lugar.

 

Eu queria entender porque ela não se sente tecnológica. 'Meu', a mina tem um ipad, um computador, tudo 'syncado', usa o calendário, mas não se sente por dentro da tecnologia.

 

A gente entendeu que era porque não tinha ninguém conversando com ela. Conversando de forma que chegasse nela. A grande maioria dos veículos de comunicação do Brasil falam da tecnologia do ponto de vista funcional, com foco na própria tecnologia e a gente queria trazer outro prisma, uma outra ótica. A gente queria falar de sociedade, de comportamento, claro, com o pano de fundo tecnológico.

 

A gente fazia coisas lindas, tipo um tutorial de como baixar Torrent que você podia mandar para sua vó que ela ia entender, até cobrir coisas mais importantes como eventos do Google e explicar para a mulherada o que houve ali de importante para ela. Quais são as mudanças?

 

Quando a Apple lançou o aplicativo de saúde não tinha marcador de menstruação. Que tipo de tecnologia é feita sem considerar 50% da população mundial? Então eram esses assuntos que a gente gostava de trazer. E a ideia é que a gente continue trazendo esses assuntos, mas slow jornalism total.

 

O Badulaque - Como você se inspira e como faz sua inspiração caber na rotina?

 

Foto do Facebook de Diana

 Adepta das bikes, nem na hora de escolher o esporte ela deixa o estilo de lado. Arrasa!

 

 

Diana - Eu tenho voltado muito para os meus livros do mestrado porque eles têm respondido várias perguntas banais que eu tenho. Mas tenho conversado com gente jovem e está sendo muito legal falar com eles. Porque é um outro jeito de pensar, consumir e interpretar conteúdo, informação.

 

Montei uma equipe lá na Greenpark que são quatro repórteres e três editores. São todos mais novos do que eu de propósito porque eu queria muito que eles trouxessem um pouco de frescor para o pensamento da produção de conteúdo.

 

Quando a gente tem alguma dúvida ou vontade de trazer coisas novas para o mercado eu escolho dois ou três e digo: "Gente, preciso que vocês me ajudem a criar ideias para tal cliente, com tal finalidade"”... ou a gente simplesmente senta e toma uma cerveja e pensa sobre o que ninguém está fazendo.

 

Isso está sendo muito legal. Mas é isso. To dando um tempo no meu consumo desenfreado de notícias porque estava muito pesado. Agora eu me informo basicamente via newsletter. Está sendo meu jeito de acalmar a onda de excesso de informação.
 

Tenho também perguntado para pessoas como elas estão lidando com o mundo da comunicação porque eu ando numa crise de identidade. Comunicação é um universo muito difícil. Muito menosprezado. Importantíssimo. Subvalorizado.

 

O Badulaque - Como uma marca artesanal como O Badulaque pode crescer sem perder a essência humana, personalizada, criativa?

 

Foto de Divulgação

 Diana no momento da entrevista para O Badulaque

 

 

Diana - Distribuição. O segredo, eu tenho percebido cada vez mais e a agência tem me ajudado a entender, é distribuição. Porque se a sua base é boa, seu conteúdo é bom, a base da tua comunicação é sólida, para escalar você só precisa distribuir melhor.

 

Aí eu acho que é uma combinação de tudo: comunidade, estratégia de microinfluenciadores - uma coisa que eu acho que tem funcionado muito bem -, impulsionar coisas… Fazer de uma forma com que os embaixadores da marca também participem do processo, se sintam parte da empresa, sejam consultados, ouvidos, porque é a galera que vai fazer a mensagem chegar mais longe.

 

Mas só isso não resolve. Acho que estratégia de distribuição é o principal para a marca que quer crescer mas o começo de tudo é um bom conteúdo. E toda a estratégia de suporte, né?! Então é uma combinação de assessoria de imprensa, estratégia de relações públicas com os microinfluenciadores, estratégia de distribuição de mídia paga. Eu acho que é um conjunto de todas essas coisas. Meu conselho é ir testando o que dá mais resultado. Gosto da ideia de colocar uma sementinha em cada lugar e ver o que cresce mais rápido. Sempre que possível, claro.

 

Assennato é uma das criativas que inspiram o trabalho do Badulaque e nos ensina a falar da forma espontânea, humana e carinhosa com cada um(a) de vocês. Compartilhe este conteúdo e marque aquele amigo que se considera sem criatividade. Vamos construir pontes entre realidade e sonhos. Basta acreditar e se unir à corrente dos criativos de plantão. Mande sua sugestão de um criativo que o Badulaque PRECISA entrevistar. Contamos com seu olhar afetivo. ;)



 

 



 

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